Família Librelato e Carboni

Vindos da Itália, a família Librelato se estabeleceu na localidade de Armazém, município de Urussanga/SC.Em meio aos primeiros imigrantes italianos estava Sperandio Librelato, pai de 6 filhos. Entre eles, Arcângelo Librelato, casado com Carmelita Zapelini, com quem teve 8 filhos: Alécio, Ida, Catarina, Salute, Berto, Antonio, Dante e Apolônia. O quinto filho do casal, Berto Librelato, irmão gêmeo de Salute, nasceu no dia 21 de fevereiro de 1915, em Palmeiras, Orleans/SC. Anos depois, a família mudou-se para Pindotiba – Orleans, onde trabalhava na agricultura. Interessado em ter seu próprio negócio, Berto foi com a família morar na localidade de Corridas, Orleans. Onde por volta de 1940 começou a trabalhar com uma serraria movida à força hidráulica. Nessa época, ele conheceu uma bela moça, Carolina Carboni, que anos depois tornou-se sua esposa. Carolina nasceu em 21 de dezembro de 1922, na localidade de Corridas - Orleans. Seus avós paternos Luiz Carboni e Rosina Carboni, vieram da Itália. Filha de agricultores, também naturais da Itália, Carlos Carboni e Maurina Ghizzi. Carolina tinha 10 irmãos: Gracioso, Matilde, Fernandina, Anita, Dirce, Maria, Josefina, Luiz e outros 2 que faleceram quando crianças. Sua vida não era fácil e sua grande paixão era aprender a costurar. Por causa dessa vontade, a jovem contrariou o desejo de seus pais e abandonou os estudos na 3ª série, passando a dedicar suas horas as aulas de costura, em Urussanga/SC.“Quando eu tava terminando a 3º série a professora foi falar com o meu pai para ele me deixar ficar mais um ano e ajudar ela a ensinar nas aulas de matemática, porque eu era uma boa aluna e me destacava nessa matéria. Eu até cheguei a ajudar, mas o que eu queria mesmo ela costurar”, conta Carolina.Carolina e Berto se conheceram quando ele veio, com a família, morar em Corridas-Orleans. Antes de namorar, já eram grandes amigos. Mas, foi em 20 de maio de 1943, que eles se casaram. Ele com 28 anos e ela com 21 anos. Uma diferença de sete anos, que, segundo Carolina, incomodava Berto antes deles casarem. “Ele dizia que era muito velho para mim. Ele tinha medo de não dar certo, de a idade atrapalhar”.   Apesar da grande paixão que sentia por Berto, Carolina relembra que não era fácil namorar naquela época. “A gente não podia sair muito de casa e chegar perto de um rapaz então nem pensar. Meu pai não gostava de nenhum dos meus namorados, nem do Berto, ele só começou a gostar dele depois que casamos”. Mesmo com toda a proteção dos pais, os jovens sempre arrumavam um jeito para se encontrar. “Eu lembro de um caso, de quando a gente estava se conhecendo. Era um fim de semana e eu fui ficar na casa de uma das minhas irmãs, em Santa Clara. Eu fui de cavalo até lá, a gente ia costurar, mas tinha baile a noite e acabamos indo. Meu pai chegou em casa e perguntou para minha mãe onde eu estava, quando ela disse onde eu tava ele foi logo atrás de mim e me achou lá no salão. Não deu outra, ele me trouxe embora aquela hora da noite, era bem tarde, nós tivemos que atravessar um rio e tudo e ele veio falando de lá até em casa”, recorda. Sobre o passado, ela continua falando de seu pai. “Ele era bravo, mas era justo também, não queria as coisas erradas. Para sair de casa a gente tinha que esconder os sapatos na casa de uma vizinha, de uma amiga e pegar depois, porque se ele (pai) visse a gente com o sapato já ficava desconfiado de que íamos sair de casa. Assim, a gente dizia que ia brincar nas amigas e depois fugia para passear”.O casal teve 11 filhos: Apolônia, que casou com Wamilton Teixeira e teve 3 filhos: Wamilton Filho, Wamilson e Wagner; Adolar (Lali), casou com Leonete Canever e teve 3 filhos: Lucas, Karoline e Mariani; Maurina, casou com Luiz Corrêa da Silva e teve 4 filhos: Lucelena, Luiz Alberto, Lucelane e Mahicon José; Salete, casou com Agenor Longo e teve 2 filhas: Analu e Marilu; Arcângelo, casou com Eloísa Cardoso e teve 3 filhos: Hudson, Fabian e Renata. Atualmente, está casado com Micheli Tessamamn; José Carlos (Lussa), casou com Adecir Maria da Silva e teve 1 filha: Thayni. Atualmente, está casado com Roseneide Ghizoni, com quem tem 1 filha: Vitória; João Alberto, casou com Denise Madeira e teve 1 filha: Larissa; Luiz Tadeu (in memória), casou com Soraya Cúrcio e teve 1 filho: Thiago; Ademir, casou com Rosilândia Rocha e teve 2 filhos: Berto e João Paulo; Aloir casou com Eva Gomes e teve 2 filhas: Luana e Alana. É pai também João Vitor; o caçula Gilmar é solteiro.Quando casaram, Berto e Carolina foram morar com os pais dele. Mas, anos depois ela quis sair de lá e ter sua própria casa. “É como dizem, quem casa quer casa. Eu não queria mais morar com meus sogros, mas o Berto não queria sair de lá, ai um dia eu fiquei brava e fiz ele aceitar que a gente saísse”, diz Carolina. Porém, a situação financeira do casal ainda era difícil e eles tiveram que morar em um paiol velho. “Era um lugar bem velho e cheio de frestas. Eu pegava e tampava as frestas com pano antigo, para não chover e nem entrar vento dentro”, continua. Apesar de todas as dificuldades, Carolina comenta também que eles eram muito felizes. “Mesmo com todo trabalho, nós vivíamos felizes porque a gente se dava bem. Os outros também gostavam da gente. Meu Deus, se eu me lembrasse de todos os afilhados que ganhamos e de quantas vezes que fomos padrinhos de casamento. Teve até uma vez que nós fomos padrinhos de casamento de 2 irmãs, no mesmo dia”. Entre os muitos amigos do casal, há uma pessoa que acompanhou de perto essa história e que até hoje lembra de tudo com muito carinho. “Nós nos criamos juntos. Eu e a Carolina temos a mesma idade e eu acompanhei tudo de perto. Eles eram um casal pobre, mas que tinha muito amor para dar”, comenta Maria José Nicoladelli. “O Berto era um rapaz que tinha muita vontade de trabalhar. Aos 18 anos, ele puxava lenha para a serraria do meu pai. Todo mundo se admirava, pois ele era muito jovem e bonito, mas ele não tinha vergonha, trabalhava mesmo. A Carolina também é um exemplo, ela criou aqueles filhos trabalhando muito”, completa Maria. Todos os filhos do casal, com exceção de Gilmar, o mais novo, nasceram em Corridas, localidade onde o casal morava até se mudar para Orleans, onde hoje é a empresa. “Eu gostava muito de morar em Corridas. Quando tivemos que sair eu fiquei triste. Lembro que o Berto queria fazer a mudança dia 6 de janeiro daquele ano, mas como dia 6 era dia santo, eu pedi para ele ficar até dia 7, porque eu queria passar o dia santo lá, naquele lugar que eu gostava tanto” declara Carolina.  Não é a toa que Carolina declarou o quanto era difícil namorar, sem que seu pai descobrisse. Maria, a amiga do casal, relembra uma história. “Eles namoravam escondidos. Ele vinha até certo lugar, pulava uma cerca e esperava por ela. Ela pulava outra cerca e ia ao encontro dele. Certo dia, o pai dela, o falecido Carlos, desconfiou e acabou pegando os dois juntos. Ela levou uma surra que nunca deve ter esquecido”. Ainda sobre os filhos, Carolina comenta o quanto as coisas estão diferentes nos dias de hoje. “Eu sempre ganhava meus filhos em casa, com parteira. A gente não tinha dinheiro, nem costume de ir para um hospital. Quando ganhei minha primeira filha, a Apolônia, eu passei muito mal, achei que não fosse resistir. Naquela época a gente se cuidava os 40 dias, não era igual hoje. Eu lembro que não podia comer quase nada, só galinha e aqueles biscoitos redondos que tinha antigamente. Eu comia umas 14 galinhas a cada resguardo. A gente usava o caldo para fazer pirão de farinha de mandioca e também para jogar encima dos biscoitos”. Com um sorriso nos lábios, Maurina, uma das filhas do casal, relembra um fato de sua infância que hoje é motivo de risadas, mas, que na época a deixou bastante triste. “Eu lembro de um natal, nós éramos pequenos e ganhamos uma sombrinha de cada. Naquele tempo, os pais davam coisas úteis para os filhos, coisas que a gente usasse. Não era como hoje que as crianças ganham brinquedos. A Apolônia ganhou uma sombrinha daquelas viradinhas para baixo, mais bonita e a minha era lisa, simples. Eu fiquei muito triste, porque eu achava que ela era a mais protegida. Isso me marcou bastante”, recorda.Com os anos, a família foi crescendo e vieram também os bisnetos: Karina, Rangel, Wamilton, Vanessa e Karolina, netos de Apolônia e Wamilton; Eduardo, filho de Adolar e Leonete; Ítalo José, Luiz Antonio, Luiz Felipi, Maria Laura, Mahicon, João Henrique e Mariah, netos de Maurina e Luiz; Guilhermina, neta de Salete e Agenor; Pedro, neto de Arcângelo e Eloísa e Pedro, neto de Ademir; e os tataranetos: João Vitor e Pedro Augusto, netos de Apolônia e Wamilton.A vida do patrono da família, Berto Librelato, foi marcada por muitas dificuldades. No início, eles tiveram que se dividir entre os serviços da pequena serraria, que fabricava carrocerias para caminhões, e a agricultura. Porém, com o tempo, a produção ganhou impulso e a família sentiu a necessidade de adquirir um novo espaço. Foi então, que se instalaram às margens da Rod. SC 438, KM 01, em Orleans, onde surgiu a empresa Irmãos Librelato Ltda, em 02 de maio de 1980. Em 28 de dezembro de 1992, a empresa irmãos Librelato tornou-se Librelato Implementos Agrícolas e Rodoviários Ltda, passando a investir no ramo agrícola e rodoviário. Sem ter tido a chance de entrar em uma sala de aula, Berto Librelato conseguiu “abrir as portas” para que aquela pequena e modesta serraria, nos fundos da casa se transformasse em uma das empresas que mais crescem hoje no país. “Nós passamos muitos momentos complicados na nossa vida. Eu sei bem o quanto eu trabalhei, o quanto a gente passou por dificuldades. Mas, teve um caso de doença na família que marcou muito todos nós. O Gilmar, aos 9 anos, teve meningite. Foi um susto muito grande. Eu cheguei no hospital com ele queimando de febre, mas não sabia o que era, depois que o médico falou. Eu tive que tomar um comprimido para poder ficar com ele. Fiquei 14 dias lá, dia e noite sozinha, cuidando dele. Um dia o médico me disse que o caso tava praticamente perdido. Ele não tava reagindo ao remédio. Foi então que o médico se reuniu com outros de Criciúma/SC e eles resolveram fazer um tratamento de adulto nele, já que, ele não tava reagindo ao tratamento de criança. Ele tinha que ficar amarrado, de tão forte que eram as doses, mas graças a Deus deu certo e ele conseguiu se salvar e ficar sem seqüelas”, comenta Carolina.Berto faleceu no dia 01 de julho de 1988, aos 82 anos. Carolina tem hoje 86 anos. Por causa da idade avançada, ela quase não sai de casa e leva uma vida tranquila. Sentada em um sofá, coberta por uma manta colorida de crochê, ela diz que é difícil sair de casa e que costuma passar suas horas naquele sofá da cozinha, onde recebe visitas de parentes e amigos. “Eu só vou à casa da Maurina e da Salete, porque são aqui na frente, as outras é mais longe, ai não tenho mais força”, comenta. Sobre os dias de hoje, Carolina comenta sua preocupação com a juventude. “Eu não sei o que vai acontecer, porque as coisas mudaram muito. Antigamente as famílias toda noite sentavam e rezavam um terço junto, hoje isso já não existe mais”. Desde 1975 a Librelato é presidida por José Carlos Librelato (Lussa), um dos filhos do casal. Além da empresa, Lussa desempenha outras funções, como: vice-prefeito do município de Orleans, presidente do Conselho Curador da Febave, presidente da Fundação Hospitalar Santa Otília e membro do Conselho fiscal da Anfir. Além da Librelato Implementos Agrícolas e Rodoviários, hoje a família possui também a Indústria e Comércio de Plástico, presidida por João Alberto Librelato; Indústria e Comércio de Britas e Terraplanagem, presidida por Ademir Librelato e Adolar Carboni Librelato; Librelato Refratários, presidida por Ademir Librelato e a Madeireira Librelato, presidida por Aloir Librelato.Na área de comunicação, o grupo Librelato possui a Rádio Guarujá, de Orleans, presidida por Arcângelo Librelato e Adolar Carboni Librelato, Jornal Hoje, de Orleans, Jornal da Manha, de Criciúma e a Rádio Cruz de Malta, de Lauro Muller. Nesse ano, a Librelato Implementos Agrícolas e Rodoviários completou 40 anos de história. Com crescimento recorde e, estando entre as empresas que mais crescem no Brasil, ela vem conquistando novos clientes a cada dia. É uma história de luta, de muito trabalho. Uma história de uma família que unida conseguiu realizar um sonho e que hoje serve de exemplo para muitas pessoas que também desejam alcançar um objetivo.